segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Por que não posso errar?

Cansei! Cansei de querer fazer tudo certo! Cansei de pensar que só eu erro! Cansei de ser “certinha”! De ser educada, de ser equilibrada! De ser tolerante, de entender, de ser confiável.
Quero poder errar, quero arriscar a errar, a acertar, a ser “normal”! Quero ser exigente, chata, ridícula, “barraqueira”, apaixonada, louca, desvairada....


Forjando a Armadura

Nego submeter-me ao medo,

Que tira a alegria de minha liberdade,

Que não me deixa arriscar nada,

Que me torna pequeno e mesquinho,

Que me amarra,

Que não me deixa ser direto e franco,

Que me persegue,

Que ocupa negativamente a minha imaginação,

Que sempre pinta visões sombrias.

No entanto, não quero levantar barricadas por medo do medo.

Eu quero viver, não quero encerrar-me.

Não quero ser amigável por medo de ser sincero.

Quero ser firme porque estou seguro.

E não porque encobri meu medo.

E quando me calo, quero fazê-lo por amor.

E não por temer as conseqüências de minhas palavras.

Não quero acreditar em algo só por medo de acreditar.

Não quero filosofar por medo de que algo possa atingir-me de perto.

Não quero dobrar-me só porque tenho medo de não ser amável.

Não quero impor algo aos outros, pelo medo de que possam impor algo a mim.

Por medo de errar não quero tornar-me inativo.

Não quero fugir de volta para o velho, o inaceitável, por medo de não me sentir seguro no novo.

Por convicção e amor, quero fazer o que faço e deixar de fazer o que deixo de fazer.

Do medo quero arrancar o domínio e dá-lo ao amor.

E quero crer no reino que existe em mim.


Rudolf Steiner



Ontem fiquei me perguntando: onde está aquela que tinha como lema, como objetivo maior na sua vida, levar em frente essa bandeira? Fazer desse poema de Steiner a sua bandeira!
Por o medo em seu devido lugar e nunca, nunca mais se deixar acuar por quem ou o que quer que seja! Onde foi que se escondeu essa mulher forte, guerreira, que encontrou a paz em conviver consigo mesma? Atrás de qual figueira se escondeu essa mulher? Sob qual parreira ela se agachou, para permitir que esse m do voltasse? Em que momento ela se esqueceu de Steiner e voltou a ser aquela adolescente “Ceciliana”?


Lua Adversa

Tenho fases, como a lua

Fases de andar escondida,

fases de vir para a rua...

Perdição da minha vida!

Perdição da vida minha!

Tenho fases de ser tua,

tenho outras de ser sozinha.


Fases que vão e vêm,

no secreto calendário

que um astrólogo arbitrário

inventou para meu uso.


E roda a melancolia

seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém

(tenho fases como a lua...)

No dia de alguém ser meu

não é dia de eu ser sua...

E, quando chega esse dia,

o outro desapareceu...

                                                                       Cecília Meireles

É só uma fase? Como estão os astros no céu? Escondendo a aquariana, que quer ser livre, independente, que não quer pagar o preço emocional de depender financeiramente de um homem, quer não quer ter um homem apenas para chamar de seu, quer não quer usar a sedução apenas para obter favores, um vestido novo ou uma jóia? Ou quem sabe alguém para bancar o aluguel, um carro novo, ou o cabeleireiro? Essa mulher que não se importa em romper com o que não lhe faz bem, que não pensa duas vezes em tirar da sua vida aqueles que apenas querem tirar a sua vida, onde está?
Cadê Urano que lhe dá essa capacidade? Cadê Marte que a faz guerreira? Estão chorando nos ombros desse Sol canceriano? Esse sol que a torna forte e frágil, nutridora e carente, firme e instável (tenho fases como a lua...),corajosa como poucas e medrosa como muitas. Que a faz amiga, que lhe aquece o colo receptivo aos amigos e aos amores. Recolheu-se à concha, com medo de ser feliz? Cedeu a esse medo de rejeição e recusou-se a mostrar-se como é? Por quê?...
E quando abrir essa concha, o que vai encontrar? A linda pérola, que resultou da dor e da solidão ou apenas o vazio, a morte daquela que se escondeu por medo de se mostrar?
Alguém, uma vez, comentou que sou travada. Fiquei brava. Travada, eu? Como? Por quê? Não, não sou travada. Apenas tenho o meu próprio tempo, que é só meu... Apenas... sou canceriana.

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